domingo, 15 de abril de 2012

Meu pai me ama!

Em determinado momento da minha vida eu tive certeza de que meu pai não me amava. Por algum motivo, eu senti que, pra ele, o trabalho era mais importante do que eu. Ainda que isso não fosse verdade, o fato de ter me sentido rejeitado, me fez rejeitá-lo e considerá-lo um pai que não era “bom o suficiente”.
Na minha adolescência não fui um filho amoroso. Por sentir que meu pai não era “bom o suficiente”, construí uma barreira entre eu e ele. A partir de então, ainda que ele quisesse se aproximar e conversar comigo, quanto mais ele tentava, mais eu me enfurecia com ele. Nunca me esqueço do fato de meu pai oferecer a comida da mesa para todos da família antes de comê-la. Isso era (e é!), com certeza, uma atitude nobre, honrosa e amorosa da parte dele. Porém, isso me deixava com uma tremenda raiva. Para mim, ele tinha que saber que eu não gostava daquela comida que ele estava oferecendo; e se por acaso eu gostasse, eu pegaria e pronto! O fato é que eu me sentia ofendido com as formas de demonstrar amor do meu pai. Tudo por causa de um maldito sentimento mentiroso de rejeição paterna que eu aceitei na minha vida.
Em 2008 tive um encontro com Deus que mudou toda a minha vida. Passei a amar mais as pessoas, respeitar as garotas, honrar as autoridades... Mas eu ainda tinha muita dificuldade com meu pai. Eu sentia que o Espírito Santo estava me mostrando que aquele sentimento de amargura que eu havia cultivado contra meu pai, não agradava a Deus. Mas eu não sabia o que fazer. Hoje eu sei que o que causou aquilo foi o sentimento de rejeição; mas na época eu não sabia. Eu só sabia que eu não gostava do meu pai. Queria estar longe dele. Não queria que ele tivesse mais atitudes de amor para comigo, pois para mim, lá no fundo, eram todas falsas!
Sozinho, no meu quarto, certa vez orei a Deus e pedi para que ele me ensinasse a perdoar o meu pai e a amá-lo.
No ano de 2010, por direção de Deus, eu estava em uma viajem missionária à África. Estava no Marrocos e minha equipe era composta por 4 pessoas totalmente diferentes. Estávamos passando por muita dificuldade de relacionamento. Em janeiro daquele ano, a minha líder da JOCUM foi nos visitar lá no Marrocos, para nos ajudar a consertar nossos relacionamentos. Durante uma conversa com ela, eu falava de como eu não gostava da forma que eu era tratado pelos meus companheiros de equipe... Quando comecei a falar sobre a diferença entre a forma que eu estava sendo tratado e a forma que meu pai me tratava, foi como se a ficha tivesse caído! De repente, eu compreendi o amor VERDADEIRO do meu pai por mim! Na mesma hora eu comecei a chorar. E chorei muito. Chorei de arrependimento da minha ingratidão diante do amor do meu pai. Eu não recebia nenhuma atitude de meu pai como amor por mim, mas naquele momento Deus abriu meus olhos e eu VI como ele me amava! Apesar das falhas dele, ele me amava! Apesar de não demostrar amor da forma que eu achava melhor, meu pai me amava! E só naquele momento eu pude entender isso.
Eu quero postar aqui a carta que eu escrevi para meu pai lá da África depois de ter tido essa experiência.

Pai,
me perdoe porque só ontem eu percebi o quanto eu não fui grato a você. Eu não sei porquê, mas eu não conseguia ver o pai que Deus me deu, e não sei como eu não percebi o quanto você foi, e é, bom para mim. Só aqui, quando eu tenho que ficar com o pior pedaço de comida, é que eu consegui dar valor a você perguntando todos os dias se eu queria experimentar alguma comida antes de você comer; só aqui, que ninguém quer me abraçar, é que eu consegui dar valor aos teus abraços e tantas outras coisas.
Pai, me perdoa porque eu não consegui ver isso antes, e também por ser tão imbecil de as vezes pensar que você não fosse um bom pai. Eu te amo muito, e se algum dia eu conseguir amar meu filho com a metade do amor que você me amou já está ótimo.
Um fortíssimo abraco.
De seu filho, Dudu

Eu e meu pai trabalhando juntos
Meu relacionamento com meu pai mudou “da água para o vinho” desde aquela experiência na África.
Eu sei que se eu não tivesse decidido buscar todos os dias ouvir a voz do Espírito Santo, para que Ele consertasse a minha vida, eu não teria passado por um momento desses. E provavelmente, ainda estaria cheio de amargura com meu pai, fechado para qualquer tipo de demostração de amor dele. Infelizmente, a história de um pai e de um filho que têm um relacionamento saudável é a exceção hoje em dia. A principal mentira que entra em nossos corações quando ainda somos jovens é: Seu pai não te ama! Essa é a mesma mentira que lá no fundo cremos sobre Deus. Pensamos, “Deus não me ama.” E essa mentira faz com que fiquemos fechados... O sentimento de desprezo nos faz desprezar. Quanto acreditamos que nosso Pai (Deus) nos rejeita, passamos a rejeitá-lo. E qualquer tentativa de Deus em provar seu amor por nós, não nos é sentida como amor. Não conseguimos sentir o amor de Deus por nós, pois não O conhecemos. A verdade é que estamos endurecidos pelo engano de que Deus nos rejeitou. Mas eu quero dizer uma coisa muito importante: Se tivéssemos a noção da metade do amor que Deus tem por nós, choraríamos durante incontáveis dias pois perceberíamos a nossa ingratidão diante de tanto amor. Para encontrar esse amor de Deus por ti é fácil! Você só precisa encontrá-Lo verdadeiramente.


Busque encontrar Deus com todo o seu coração, isto é, deseje ao máximo ter um encontro com Ele e tenha atitudes que mostrem que você realmente quer isso. Você, com certeza, irá encontrá-Lo! (Leia Jeremias 29:13)

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